O enxerto gengival é um procedimento cirúrgico que muitos pacientes ouvem falar pela primeira vez durante uma consulta de rotina, quando o dentista identifica retração da gengiva. A pergunta “enxerto gengival como é feito” costuma vir acompanhada de receio, e é justamente essa dúvida que vamos esclarecer aqui, com calma e transparência, como fazemos há mais de 50 anos na Estúdio Dental, em São Caetano do Sul.
Em resumo, o enxerto gengival consiste em reposicionar ou adicionar tecido gengival para cobrir raízes expostas e proteger o dente. O procedimento pode ser feito com tecido do próprio paciente ou com materiais específicos, e a escolha da técnica depende de uma avaliação individual. O que você precisa saber é que se trata de um tratamento periodontal planejado, realizado com anestesia local e que visa, acima de tudo, a saúde e a estabilidade da sua boca a longo prazo.
Nossa equipe multidisciplinar conduz cada caso com o cuidado de quem entende que você não é apenas um procedimento, mas um paciente para toda a vida. Continue lendo para entender cada etapa e tirar suas principais dúvidas sobre o enxerto gengival.
Como é feito o enxerto gengival?
O enxerto gengival é um procedimento cirúrgico que transfere tecido mole de uma área doadora para uma região da boca onde a gengiva perdeu volume ou altura. A indicação mais comum é a retração gengival — quando a margem da gengiva se desloca em direção à raiz e expõe superfície dental que deveria estar coberta. O objetivo do procedimento não é apenas estético: a reposição de tecido queratinizado ajuda a devolver estabilidade à margem gengival e a reduzir a sensibilidade radicular em muitos casos.
Na prática clínica, o enxerto é executado sob anestesia local e segue uma sequência previsível: preparo da área receptora, remoção do tecido doador, adaptação e sutura do enxerto, e proteção da área com curativo ou pontos. O tempo de cadeira costuma variar entre 40 e 90 minutos, dependendo do número de dentes envolvidos e da técnica escolhida. A decisão sobre a técnica — enxerto gengival livre ou enxerto de tecido conjuntivo — é tomada após avaliação clínica e, quando necessário, de exames de imagem.
Antes de entrar no passo a passo, vale entender por que o procedimento é indicado e o que a equipe avalia na consulta inicial. A retração pode ter causas mecânicas, como escovação traumática, ou estar associada a bolsa periodontal e perda óssea. O enxerto só faz sentido quando a causa foi identificada e controlada — caso contrário, o tecido novo pode sofrer o mesmo desgaste do anterior.
Quando o enxerto gengival é indicado
O procedimento entra no plano de tratamento quando há exposição radicular com sensibilidade, risco de progressão da retração, comprometimento estético em dentes anteriores ou ausência de gengiva queratinizada ao redor de dentes e implantes. Em dentes com retração estável e sem sintomas, a conduta pode ser apenas acompanhamento clínico periódico — a cirurgia não é automática para todo mundo que apresenta retração.
Há situações em que o enxerto é planejado antes de uma reabilitação protética ou ortodôntica. Um dente que vai receber coroa de porcelana e está com margem gengival muito fina pode se beneficiar de reforço de tecido antes da moldagem ou escaneamento. Da mesma forma, pacientes em movimentação ortodôntica com gengiva fina podem ser avaliados para enxerto preventivo em áreas de risco.
O que a equipe avalia antes de operar
A consulta de planejamento inclui exame clínico da quantidade de gengiva inserida, profundidade de sondagem, presença de inflamação e padrão de escovação do paciente. A avaliação periodontal é essencial: não se opera sobre tecido inflamado ou com mobilidade dental ativa sem antes estabilizar o quadro. O histórico de saúde também entra na análise, com atenção a condições que interferem na cicatrização, como diabetes descompensado e tabagismo.
O planejamento define três pontos centrais:
- Técnica cirúrgica mais adequada ao defeito
- Área doadora com volume e qualidade de tecido suficientes
- Estratégia de controle pós-operatório e manutenção
As principais técnicas de enxerto gengival
Existem duas vias principais para obter o tecido que será transferido: o enxerto gengival livre, que remove uma camada superficial de gengiva do palato, e o enxerto de tecido conjuntivo, que retira a camada interna do palato e preserva a cobertura externa. A escolha entre elas depende da espessura do tecido doador, do tipo de defeito a ser coberto e do objetivo — ganho de altura, ganho de espessura ou ambos.
O enxerto gengival livre é mais usado quando o objetivo é aumentar a faixa de gengiva queratinizada, e não necessariamente cobrir raiz exposta. O enxerto de tecido conjuntivo, por sua vez, é a técnica de escolha para recobrimento radicular em muitos casos, porque mantém melhor suprimento sanguíneo e oferece resultado estético mais previsível em áreas visíveis. Há ainda variações como o retalho posicionado coronalmente, que combina o deslocamento da gengiva vizinha com o enxerto por baixo.
Enxerto gengival livre
Nessa técnica, o cirurgião remove uma lâmina de tecido da camada mais externa do palato e a fixa diretamente sobre a área receptora preparada. O palato cicatriza por segunda intenção, formando uma área semelhante a uma escoriação que leva de duas a quatro semanas para se estabilizar. A vantagem é a previsibilidade no ganho de tecido queratinizado; a desvantagem é o desconforto maior na área doadora no pós-operatório imediato.
O enxerto livre costuma ser indicado em áreas com pouca gengiva inserida, ao redor de implantes e em regiões onde a estética não é o fator dominante. A coloração do tecido transplantado pode ficar levemente diferente da gengiva vizinha, o que limita seu uso em dentes anteriores de pacientes com exigência estética alta.
Enxerto de tecido conjuntivo
O tecido conjuntivo é retirado de dentro do palato, abaixo da camada superficial, por uma pequena incisão. A camada externa do palato é suturada de volta, o que torna a recuperação da área doadora mais confortável do que no enxerto livre. O tecido obtido é inserido sob um retalho preparado na área receptora, o que melhora a nutrição do enxerto e o resultado estético final.
Essa técnica é frequentemente associada ao tratamento da retração gengival em dentes anteriores e pré-molares. Quando o objetivo é cobrir raiz exposta, o retalho da área receptora é posicionado coronalmente e suturado sobre o enxerto, criando as condições para que o tecido novo se integre e a margem gengival avance alguns milímetros.
Enxerto com biomateriais
Em situações selecionadas, a equipe pode optar por matrizes de colágeno ou materiais de origem processada em vez de remover tecido do palato. A principal vantagem é eliminar a área doadora e o desconforto associado. A limitação é que esses materiais não substituem o tecido autógeno em todos os cenários — a decisão depende da extensão do defeito, da quantidade de gengiva remanescente e da experiência da equipe com cada material.
O uso de biomateriais não dispensa o mesmo rigor cirúrgico: o preparo da área receptora, a estabilização do material e o protocolo pós-operatório seguem os mesmos princípios do enxerto autógeno. A diferença está na origem do tecido e na previsibilidade em casos de grande perda de volume.
Passo a passo do procedimento na cadeira
O enxerto gengival é realizado no consultório, sob anestesia local, e não exige internação. O paciente permanece acordado durante toda a cirurgia e pode retornar para casa logo após a sutura final. A sequência abaixo descreve o fluxo típico de um enxerto de tecido conjuntivo para recobrimento radicular — a variação mais comum em clínica periodontal.
1. Anestesia e preparo da área receptora
O dentista anestesia a região que vai receber o enxerto e a área doadora no palato. Na área receptora, a raiz exposta recebe raspagem e alisamento para remover depósitos e contaminantes que comprometeriam a integração do tecido. Em seguida, é feito um retalho de espessura parcial que será reposicionado sobre o enxerto.
O preparo da raiz é uma etapa crítica: superfícies radiculares com ranhuras ou restaurações antigas podem exigir regularização antes da adaptação do enxerto. O objetivo é criar um leito receptor estável, com sangramento adequado, que sustente o tecido transplantado nas primeiras 48 a 72 horas.
2. Remoção do tecido doador
No palato, o cirurgião faz uma incisão pequena e remove o tecido conjuntivo com espessura entre 1,5 e 2 milímetros. A quantidade removida é calculada para cobrir o defeito com folga, sem tensão. A incisão do palato é fechada com sutura, e a área fica protegida por um curativo periodontal ou placa acrílica nos primeiros dias.
O detalhe sobre a origem do tecido — palato, área desdentada ou biomaterial — é discutido na consulta de planejamento e detalhado em outro artigo sobre de onde vem o tecido usado no enxerto de gengiva. O paciente sai da consulta sabendo exatamente qual será a área doadora e o que esperar dela no pós-operatório.
3. Adaptação e sutura do enxerto
O tecido removido é posicionado sobre a área receptora e estabilizado com suturas finas. No enxerto de tecido conjuntivo, o retalho preparado na etapa 1 é tracionado sobre o enxerto e suturado em posição coronal. Essa cobertura é o que permite a nutrição do tecido por difusão a partir do leito e do retalho.
A sutura usa fios de calibre reduzido, geralmente removidos entre 7 e 14 dias depois. A estabilidade do enxerto nas primeiras horas é determinante: um enxerto que se movimenta durante a mastigação ou a fala tem risco maior de necrose e perda parcial.
4. Curativo e orientações imediatas
Após a sutura, a área pode receber cimento cirúrgico ou curativo periodontal que permanece por alguns dias. O paciente recebe orientações por escrito sobre alimentação, higiene e medicação prescrita. Nas primeiras 48 horas, a recomendação é dieta fria e pastosa, sem mastigação do lado operado, e compressa fria externa para reduzir o inchaço.
O retorno para avaliação costuma ocorrer entre 7 e 14 dias, quando os pontos são removidos e a equipe verifica a integração inicial do enxerto. A cicatrização completa do tecido mole leva de 6 a 8 semanas, período em que a área passa por mudanças de cor e textura esperadas.
O que muda no pós-operatório
O desconforto pós-operatório é mais concentrado na área doadora do palato do que na área que recebeu o enxerto. A intensidade varia conforme a técnica, a extensão do procedimento e a resposta individual, mas a maioria dos pacientes relata desconforto controlável com analgésico prescrito nos primeiros dois a três dias. O inchaço e eventuais equimoses são transitórios e tendem a regredir na primeira semana.
A recuperação completa tem fases distintas:
- Primeiras 48 horas: repouso relativo, dieta fria e pastosa, sem escovar a área operada
- Primeira semana: retorno gradual à alimentação macia, higiene com escova macia nas áreas distantes
- Entre 7 e 14 dias: remoção de sutura e liberação para escovação suave da área operada
- Entre 6 e 8 semanas: maturação do tecido e avaliação do resultado clínico
O artigo sobre como costuma ser o período de recuperação do enxerto gengival detalha cada fase, incluindo o que é esperado e o que justifica contato imediato com a clínica. A manutenção periodontal regular é o que sustenta o resultado no longo prazo — o enxerto não elimina a necessidade de manutenção periodontal depois do tratamento.
Resultados esperados e fatores que influenciam
O enxerto gengival pode alcançar dois tipos de resultado: ganho de tecido queratinizado e recobrimento parcial ou total da raiz exposta. O percentual de cobertura radicular varia conforme a profundidade e a largura do defeito, a quantidade de osso entre os dentes vizinhos e a técnica empregada. Defeitos rasos e estreitos tendem a responder melhor do que retrações profundas com perda óssea interdental.
O resultado depende de fatores que a equipe avalia antes de operar:
- Altura e espessura do tecido remanescente ao redor do defeito
- Presença de osso interdental íntegro
- Controle de hábitos como escovação traumática e apertamento dental
- Condições sistêmicas que afetam cicatrização
- Adesão ao protocolo pós-operatório
O enxerto não devolve a gengiva a uma condição idêntica à original em todos os casos. O que se busca é estabilidade da margem, redução da sensibilidade e melhora estética compatível com a anatomia do paciente. A expectativa é alinhada na consulta de planejamento, com base no exame clínico e no histórico de cada caso.
Enxerto gengival e outros procedimentos na mesma fase
Em reabilitações mais complexas, o enxerto de gengiva pode ser planejado em conjunto com outros procedimentos periodontais ou protéticos. Um paciente com retração e necessidade de coroa anterior, por exemplo, pode ter o enxerto realizado antes do escaneamento para a coroa, garantindo margem gengival estável no momento da instalação. Em casos de perda dental com defeito ósseo associado, a equipe avalia se há indicação de enxerto ósseo antes do implante e como o tecido mole será manejado na sequência.
O planejamento integrado é o que evita retrabalho: um enxerto gengival feito sem considerar a futura prótese pode ser insuficiente, e uma coroa instalada sobre margem instável pode exigir nova intervenção. Na clínica multidisciplinar, o caso é discutido entre as áreas envolvidas antes de qualquer etapa cirúrgica ou protética.
Perguntas frequentes sobre o procedimento
O enxerto gengival dói durante a cirurgia?
Não. O procedimento é feito sob anestesia local, e o paciente não sente dor durante a remoção do tecido nem durante a sutura. O desconforto aparece nas horas seguintes, quando o efeito anestésico passa, e é controlado com medicação prescrita pelo dentista responsável. A intensidade varia conforme a técnica e a extensão da área doadora.
Quantos dentes podem ser enxertados de uma vez?
Depende da extensão do defeito e da quantidade de tecido doador disponível no palato. Em muitos casos, dois a quatro dentes vizinhos podem ser tratados na mesma sessão. Quando a área é muito extensa, a equipe pode optar por dividir o procedimento em duas etapas para preservar o conforto do paciente e a qualidade do suprimento sanguíneo.
O enxerto pode ser feito ao redor de implantes?
Sim. A ausência de gengiva queratinizada ao redor de implantes é uma indicação comum de enxerto gengival livre. O tecido transplantado ajuda a estabilizar a mucosa peri-implantar e facilita a higiene do paciente. A decisão é tomada após avaliação do implante e do tecido ao redor.
O resultado do enxerto é permanente?
O tecido transplantado se integra e permanece na área receptora, mas a margem gengival pode sofrer novas alterações se os fatores causais não forem controlados. Escovação traumática, inflamação periodontal não tratada e hábitos como apertamento dental podem comprometer o resultado ao longo do tempo. A manutenção periódica é parte do tratamento, não uma etapa opcional.
Para entender como o enxerto se relaciona com outras situações clínicas, vale consultar também os artigos sobre quantas sessões costuma ter um tratamento periodontal e como é feita a raspagem periodontal na consulta — ambos ajudam a situar o enxerto dentro do contexto maior do tratamento da gengiva.
A avaliação presencial é o único caminho para saber se o enxerto gengival é indicado para o seu caso e qual técnica oferece a melhor relação entre previsibilidade e conforto. A equipe da Estúdio Dental está disponível pelo telefone (11) 4224-4693 para agendar uma consulta de avaliação na Alameda Caulim, 115, sala 508, em São Caetano do Sul.

